Kichute: A História do Tênis que Marcou Gerações

Por ricardo · Publicado em 16 de junho de 2025

Par de tênis preto de lona com solado de cravo, em um cenário urbano com folhas caídas

Se você foi criança nas décadas de 70 ou 80, é bem provável que já tenha calçado ou sonhado em ter um Kichute. O tênis preto de lona com solado de cravo não era apenas um calçado, mas um verdadeiro símbolo da infância brasileira. Popular entre estudantes e jogadores de futebol de rua, o Kichute marcou gerações e deixou saudades. Mas, afinal, por que esse ícone desapareceu das prateleiras?


A origem do Kichute: um tênis nascido do futebol

A história do Kichute começou em 1970, quando o Brasil vivia a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol. Aproveitando o clima de celebração, a empresa Alpargatas, conhecida por marcas como Conga e Bamba, lançou um calçado inspirado no esporte nacional.

O nome Kichute veio da junção das palavras “kick” (chutar, em inglês) e “chute”, fazendo referência direta ao futebol. O design simples, mas robusto, com lona preta e solado de borracha com cravos, transformou o tênis em um verdadeiro híbrido de chuteira e calçado escolar.


O auge de um fenômeno cultural

Durante os anos 70 e 80, o Kichute foi muito mais que um tênis. Ele virou um uniforme não oficial da infância, servindo tanto para ir à escola quanto para jogar bola na rua, na quadra ou no campo. O sucesso foi tão grande que, em seu auge, as vendas ultrapassaram 9 milhões de pares por ano, o equivalente a quase 10% da população brasileira da época.

O modelo virou ícone cultural, com campanhas publicitárias estreladas por nomes como Zico e narrações de Galvão Bueno. Além disso, a Alpargatas investiu pesado em publicidade, com jingles inesquecíveis como “Kichute é bom pra tudo”.


O declínio: concorrência e falta de inovação

Nos anos 90, o cenário mudou. Com a abertura econômica, marcas internacionais começaram a dominar o mercado, oferecendo tênis com mais tecnologia, conforto e design moderno. A Alpargatas, acreditando que o sucesso do Kichute seria eterno, deixou de inovar. O modelo permaneceu praticamente o mesmo desde os anos 70.

A consequência foi inevitável: em 1996, a produção do Kichute foi oficialmente descontinuada.


Tentativas de retorno e a nostalgia em alta

Mesmo após o fim da produção, o Kichute permaneceu vivo na memória afetiva dos brasileiros. Tentativas de relançamento ocorreram, como em 2005, quando a Vulcabras adquiriu os direitos da marca e trouxe o calçado de volta ao mercado, focando na nostalgia. Em 2009, o tênis foi até tema de filme: “Menino de Kichute”, baseado no livro de Márcio Américo

Mais recentemente, em 2022, a marca foi incluída no projeto “Sociedade das Marcas Imortais”, com planos de um novo relançamento digital previsto para 2023. Em 2024, a Alpargatas registrou novos pedidos de proteção de marca no INPI, indicando um possível retorno.


O Kichute pode voltar?

Embora ainda não exista confirmação oficial de um relançamento nas lojas, os recentes movimentos da Alpargatas reacenderam a esperança dos fãs. Afinal, marcas icônicas têm o poder de ressurgir, impulsionadas pela força da nostalgia e do apelo cultural.

Se você tem boas lembranças com o Kichute, continue acompanhando as novidades. Quem sabe em breve ele volte a fazer parte do nosso dia a dia?